A atacante espanhola Jenni Hermoso prestou depoimento na sede da Audiência Nacional em San Fernando de Henares no julgamento do ‘Caso Rubiales’.
A jogadora, que foi vítima de um beijo não consentido por parte do ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, detalhou os acontecimentos desde o episódio polêmico até as consequências que enfrentou. “Aquilo mudou minha vida”, afirmou Hermoso, segundo o jornal Marca.
Jenni Hermoso passou por momento inesperado com Rubiales que tiraram de conexto
Durante seu depoimento, Hermoso relembrou o momento do beijo, ocorrido no dia 20 de agosto de 2024, após a conquista da Copa do Mundo de futebol feminino da Seleção Espanhola.
“Estávamos na fila para cumprimentar as autoridades. Cumprimentei a Rainha e sua filha. A próxima autoridade foi Luis Rubiales, então nos abraçamos e eu disse, ‘Conseguimos!’. Ele pulou e respondeu, ‘Ganhamos a Copa do Mundo graças a você’. Depois, colocou as mãos em minhas orelhas e me beijou na boca”, relatou a jogadora.
Hermoso enfatizou que foi algo “inesperado” e que ocorreu com uma rapidez na qual ela não conseguiu reagir. “Sabia que estava sendo beijada pelo meu chefe e que isso não deveria ocorrer em nenhum lugar”, completou.
Pressão e tentativas de controle da narrativa
A jogadora revelou que, minutos após o ocorrido, confidenciou a situação às colegas Alexia Putellas e Irene Paredes. Mais tarde, ainda no vestiário, foi chamada por Ana Álvarez para uma conversa com Rubiales.
“Ele me disse que estava se falando muito sobre o assunto nas redes sociais e que poderíamos parar aquilo. Eu respondi: ‘Mas você sabe o que fez’. E ele rebateu: ‘Foi o calor do momento, você sabe'”, declarou.
Segundo relato da jogadora, com apuração do Marca, as pressões não pararam por aí. Durante o voo de volta para a Espanha, Rubiales pediu que Hermoso gravasse um vídeo a seu favor.
“Ele disse que o estavam chamando de assediador e me pediu para ajuda-lo, por suas filhas. Chegou a dizer: ‘A gente gosta da mesma coisa’, referindo-se à minha orientação sexual”, afirmou a jogadora, ressaltando o desconforto com a situação.
Jenni Hermoso sofreu perseguição da mídia e ameaças
Após a chegada a Madri, Hermoso se viu cercada por um intenso assédio midiático e por constantes tentativas de contato de membros da RFEF.
“Desde o primeiro momento, havia câmeras de televisão me seguindo 24 horas, jornalistas esperando fora da minha casa e me fotografando durante o café da manhã com minha mãe. Recebi ameaças de morte”, revelou. O clima ficou tão insustentável que a jogadora precisou sair de Madri com sua família.
Mesmo durante uma viagem a Ibiza, que deveria ser de lazer após a conquista, Hermoso continuou sofrendo pressão.
“Rubén Rivera me entregou um telefone e disse que era Miguel María García Caba, diretor de Integridade da RFEF, para uma videoconferência. Perguntei se era obrigada a atender, e ele insistiu até colocar meu celular para carregar”, relatou.
Pouco depois, foi informada que Albert Luque, então diretor esportivo da seleção masculina, queria falar com ela. “Ele chegou a dizer para minha amiga que me desejava o pior na vida por não ter livrado Rubiales desse problema.”
No tribunal, Jenni Hermoso destacou que, em momento algum, sentiu-se protegida pela RFEF. “A Federação deveria ser meu lugar seguro, mas não foi. Desde então, minha vida está em stand-by e não pude viver livremente”, desabafou.
Imagem destaque: Burak Akbulut/Anadolu via Getty Images



